Eloizo Gomes Afonso Duraes não construiu sua trajetória filantrópica a partir de um grande anúncio ou de uma campanha de visibilidade. Construiu-a tijolo por tijolo, projeto por projeto, ao longo de mais de vinte anos de presença constante em comunidades que raramente aparecem nos holofotes. O resultado é a Fundação Gentil Afonso Duraes, uma entidade sem fins lucrativos que desde 2003 desenvolve um trabalho intenso de inclusão social, educação e saúde voltado principalmente a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Um começo simples com consequências profundas
Em julho de 2003, o empresário estabeleceu uma de suas empresas no bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo. A escolha do bairro foi comercial, mas o que aconteceu a seguir foi humano. Ao observar a realidade das famílias da vizinhança, Eloizio Gomes Afonso Duraes identificou algo que estatísticas raramente capturam com precisão: crianças com capacidade, curiosidade e vontade de aprender, mas sem acesso às ferramentas mínimas para desenvolver esse potencial.
Em setembro de 2003, as primeiras aulas de informática foram oferecidas. Não havia estrutura elaborada, não havia equipe numerosa. Havia uma intenção clara e a disposição de começar pelo que era possível fazer imediatamente. Em outubro do mesmo ano, a entidade foi formalizada como Fundação Gentil Afonso Duraes, com CNPJ 05.994.617/0001-93, sinalizando desde cedo que aquele projeto não seria uma iniciativa passageira.
A construção de um modelo integrado
O ano de 2004 foi decisivo para a consolidação da Fundação. Em fevereiro, o programa de reforço escolar foi implantado, respondendo a uma demanda concreta: crianças que frequentavam a escola pública, mas chegavam em casa sem condições de acompanhar o conteúdo ou de realizar as atividades sem apoio. Para famílias em situação de vulnerabilidade, a alternativa privada era inviável. A Fundação preencheu esse vazio com consistência.
Em março de 2004, atividades culturais como coral e teatro foram incorporadas ao programa. A decisão revelava uma visão de educação que ia além do conteúdo acadêmico: formar seres humanos capazes de se expressar, de criar e de se reconhecer no outro. Em maio, o Projeto Sopão foi lançado, reconhecendo que nenhuma criança aprende bem com fome. Em agosto, a distribuição de cestas básicas começou a oferecer um alívio mais duradouro para o orçamento das famílias atendidas.
Eloizo Gomes Afonso Duraes estava construindo, sem necessariamente usar esse vocabulário, um modelo de educação integral muito antes de o termo se popularizar nos debates pedagógicos brasileiros.

Expansão nacional e enraizamento regional
A força do projeto ficou evidente quando ele ultrapassou as fronteiras de São Paulo. Em janeiro de 2005, a Fundação chegou a São Luís, no Maranhão. Em fevereiro de 2007, expandiu para João Pessoa, na Paraíba. Em abril de 2010, Recife, em Pernambuco, passou a integrar o mapa de atuação da entidade. Cada expansão representou um desafio real: adaptar uma metodologia desenvolvida na zona oeste paulistana às especificidades culturais, sociais e econômicas de contextos muito diferentes.
Eloizio Gomes Afonso Duraes soube conduzir esse processo com sensibilidade. A expansão não foi imposta de cima para baixo, mas construída a partir do reconhecimento das necessidades locais em cada território. Esse cuidado explica por que a presença da Fundação nesses estados não foi episódica, mas se consolidou ao longo dos anos.
A reformulação que preparou o futuro
Em novembro de 2019, a Fundação passou por uma transformação institucional relevante. Evoluiu para uma Organização Social, a Fundação Gentil, adotando uma estrutura de governança mais robusta, com mecanismos de controle, transparência e capacidade de estabelecer parcerias com o poder público e com outras entidades do terceiro setor. Essa transição foi o reconhecimento de que uma entidade com dezesseis anos de história e presença em quatro estados precisava de uma arquitetura institucional à altura do que havia construído.
Para Eloizo Gomes Afonso Duraes, a reformulação não representou uma ruptura com a identidade original da Fundação. Representou a maturidade necessária para que essa identidade pudesse se expressar em maior escala e com maior impacto.
O que a fundação é hoje?
Atualmente, a Fundação atende quatro turmas de crianças entre 7 e 14 anos, com capacidade para até 40 alunos por turno. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, nos períodos da manhã, das 8h às 11h30, e da tarde, das 13h20 às 17h10. Todas as crianças têm acesso a transporte gratuito, com entrada pelo portão 13 do CEAGESP, eliminando uma das principais barreiras que impedem famílias de baixa renda de acessar serviços sociais: o custo e a logística do deslocamento.
As atividades incluem reforço escolar, oficina de informática com conteúdo que vai de alfabetização digital ao pacote Office, atividades culturais e atendimento em saúde bucal. Cada um desses pilares responde a uma necessidade identificada na realidade das famílias atendidas, e não a uma agenda institucional distante do cotidiano das comunidades.
O que Eloizio Gomes Afonso Duraes construiu ao longo de duas décadas é mais do que uma fundação. É uma demonstração prática de que filantropia séria, orientada por valores genuínos e sustentada por comprometimento de longo prazo, tem o poder de transformar vidas de forma duradoura e mensurável.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
