Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, alude que, em um mercado cada vez mais dependente de sistemas que sustentam operações críticas há anos, lidar com código legado tornou-se um dos desafios mais recorrentes enfrentados por equipes de tecnologia. Sistemas antigos, mesmo quando funcionais, costumam acumular complexidade desnecessária, dificultando a manutenção, evolução e integração com tecnologias mais recentes.
Refatorar não significa simplesmente reescrever código do zero. Trata-se de um processo estruturado de melhoria incremental, que preserva o comportamento externo do sistema enquanto reorganiza sua estrutura interna, tornando-o mais legível, testável e adaptável a mudanças futuras sem introduzir riscos desnecessários durante a transição. Esse cuidado é especialmente relevante em sistemas que operam de forma contínua e não podem tolerar interrupções inesperadas durante o processo de melhoria.
Por que o código legado se torna um problema com o tempo?
Sistemas legados frequentemente carregam decisões técnicas tomadas em contextos de negócio e tecnológicos muito diferentes dos atuais. Mudanças constantes de equipe, ausência de documentação atualizada e pressão histórica por entregas rápidas costumam resultar em arquiteturas que se afastam progressivamente das boas práticas reconhecidas pela engenharia de software moderna.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira menciona que o custo de manter esses sistemas tende a crescer de forma não linear: pequenas mudanças passam a exigir esforço desproporcional, aumentando o risco de regressões e desestimulando inovações que poderiam trazer ganhos competitivos relevantes para a operação do negócio. Em muitos casos, essa dinâmica leva equipes a evitar qualquer alteração mais profunda, perpetuando práticas ultrapassadas por receio de comprometer a estabilidade do sistema em produção.

Quando faz sentido refatorar em vez de reescrever?
A decisão entre refatorar gradualmente ou reescrever um sistema do zero depende de fatores como criticidade da operação, disponibilidade de testes automatizados existentes e o risco aceitável de interrupção durante o processo de transição. Reescritas completas costumam apresentar riscos elevados, historicamente associados a atrasos significativos e perda de funcionalidades essenciais ao longo do caminho.
O diretor de tecnologia, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, indica que abordagens incrementais, como o padrão conhecido como strangler fig, permitem substituir partes do sistema legado progressivamente, mantendo a operação estável enquanto novos componentes assumem responsabilidades específicas. Essa estratégia reduz consideravelmente os riscos associados a uma migração completa e abrupta.
Qual o papel dos testes automatizados nesse processo?
Refatorar código sem cobertura de testes adequada equivale a operar sem rede de segurança. Antes de iniciar qualquer mudança estrutural relevante, é fundamental garantir que existam testes capazes de validar o comportamento atual do sistema, permitindo identificar rapidamente qualquer regressão introduzida durante o processo de reorganização do código.
O CTO Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira ressalta que, em sistemas legados que historicamente carecem de testes, recomenda-se priorizar a criação de testes de caracterização antes de qualquer refatoração, documentando o comportamento real do sistema, mesmo quando esse comportamento não corresponde exatamente ao que seria considerado ideal sob o ponto de vista técnico atual.
Como equilibrar refatoração com entregas de negócio?
Equipes técnicas frequentemente enfrentam resistência ao propor tempo dedicado à refatoração, já que esse trabalho raramente produz funcionalidades visíveis diretamente para usuários finais. Comunicar o valor da refatoração em termos de redução de risco operacional e aumento de velocidade de entregas futuras costuma ser mais eficaz do que justificativas puramente técnicas.
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira sinaliza que integrar refatoração ao fluxo regular de desenvolvimento, em vez de tratá-la como projeto isolado e esporádico, tende a gerar resultados mais sustentáveis. Pequenas melhorias contínuas, realizadas junto a entregas regulares, evitam o acúmulo de dívida técnica sem comprometer significativamente os prazos estabelecidos para o negócio, além de tornar o processo de manutenção mais previsível para toda a equipe envolvida.
