setembro 22, 2026
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Plástico corrugado e o desafio da resina reciclada

Elias Assum Sabbag Junior

O empresário Elias Assum Sabbag Junior pondera que a pressão regulatória e de mercado por percentuais mínimos de conteúdo reciclado nas novas embalagens a partir de 2026 impõe um desafio técnico significativo à indústria. Incorporar resina reciclada pós-consumo na estrutura alveolar exige um equilíbrio delicado entre as metas de sustentabilidade e a manutenção da performance mecânica do produto final. O plástico corrugado, tradicionalmente valorizado por sua homogeneidade, passa por um processo de adaptação para atender a essas novas exigências sem perder suas propriedades fundamentais.

A complexidade da extrusão com blendas poliméricas

O processo de extrusão do polipropileno requer controle rigoroso de temperatura e pressão para garantir a formação de uma chapa de corpo único. Ao introduzir resina reciclada na mistura, surgem variações na viscosidade do fundido e na estabilidade térmica do material, o que pode comprometer a uniformidade das nervuras longitudinais. Contaminantes como tintas, adesivos ou resíduos de produtos químicos presentes no material reciclado podem gerar pontos de fragilidade na chapa final.

 

Engenheiros de materiais precisam desenvolver blendas específicas que compatibilizem a resina virgem com o material reciclado. A proporção exata varia conforme a origem do reciclado e a aplicação final da embalagem, exigindo testes extensivos para validar a resistência à tração e ao impacto da chapa resultante. Análises reológicas em laboratório permitem mapear o comportamento do fundido sob diferentes condições de processamento, otimizando os parâmetros de extrusão para cada formulação específica.

Controle de qualidade e propriedades mecânicas

A principal preocupação ao aumentar o teor de material reciclado é a possível degradação das propriedades mecânicas da embalagem. O polipropileno sofre quebra de cadeias poliméricas a cada ciclo de processamento térmico, o que pode reduzir a tenacidade e a resistência à compressão vertical da chapa alveolar. Ensaios de compressão estática e testes de impacto Charpy são realizados rotineiramente para verificar se as especificações técnicas são mantidas dentro dos limites aceitáveis.

 

Segundo Elias Assum Sabbag Junior, o equilíbrio entre sustentabilidade e desempenho técnico é alcançado através de aditivos estabilizantes e de um controle de qualidade rigoroso em cada lote de produção. A rastreabilidade do material reciclado é fundamental para garantir que a matéria-prima não contenha contaminantes que prejudiquem a extrusão. Certificações de fornecedores e auditorias periódicas na cadeia de suprimentos de resina reciclada complementam o controle interno de qualidade.

Elias Assum Sabbag Junior
Elias Assum Sabbag Junior

Atendimento às metas regulatórias de 2026

O novo marco regulatório da logística reversa estabelece índices crescentes de recuperação e exige a incorporação de conteúdo reciclado nas novas embalagens. Cumprir essas metas demandam planejamento de médio e longo prazo, pois a estruturação de uma cadeia de suprimentos de resina reciclada de qualidade não é imediata. Empresas precisam estabelecer contratos de fornecimento com cooperativas e recicladores, garantindo volume e consistência na qualidade do material recebido.

 

A análise de Elias Assum Sabbag Junior aponta que o controle de qualidade se torna ainda mais crítico nesse cenário. As empresas precisam documentar e comprovar a origem e a porcentagem do material reciclado utilizado, integrando esses dados aos relatórios do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos. A transparência na cadeia de suprimentos e a certificação de processos tornam-se diferenciais competitivos essenciais para demonstrar conformidade regulatória.

A evolução técnica como vantagem competitiva

A capacidade de produzir plástico corrugado com alto teor de reciclado, mantendo a integridade estrutural, diferencia as empresas no mercado. Clientes finais, especialmente em setores regulados como o farmacêutico e o de alimentos, buscam fornecedores que possam atender simultaneamente às exigências de proteção da carga e às metas de sustentabilidade corporativa. A certificação de processos e a documentação técnica detalhada facilitam a aprovação de fornecedores em auditorias de compliance ambiental.

 

Elias Assum Sabbag Junior ressalta que a transição para materiais com conteúdo reciclado é um processo contínuo de aprimoramento técnico. O investimento em pesquisa e desenvolvimento de novas formulações garante que a embalagem continue sendo uma solução robusta, mesmo com a crescente participação de resinas de segunda vida em sua composição. A colaboração entre fabricantes, universidades e centros de pesquisa acelera o desenvolvimento de tecnologias que ampliam os limites técnicos da incorporação de reciclado sem comprometer a performance.

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