setembro 17, 2026
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A fórmula dos engenheiros para criar negócios fortes

Alfredo Moreira Filho

Empresário que transitou por grandes obras de infraestrutura antes de fundar um negócio de tecnologia, Alfredo Moreira Filho carrega uma trajetória que desafia a separação tradicional entre formação técnica e empreendedorismo. A passagem pela Construtora Andrade Gutierrez, pelo Projeto Tucumã no Pará e pela representação institucional no Congresso Nacional não foi apenas experiência profissional: foi uma escola de gestão que preparou o terreno para decisões empresariais futuras.

 

A engenharia de campo, quando exercida em contextos complexos, desenvolve competências que transcendem o cálculo técnico e se aplicam diretamente à gestão de negócios em qualquer setor.

Gestão de conflitos em territórios conflagrados

Projetos de engenharia em regiões como o sul do Pará exigem adaptação constante a variáveis que não estão nas planilhas. O Projeto Tucumã envolvia conflitos simultâneos com grileiros, madeireiros, garimpeiros e comunidades indígenas, demandando capacidade de negociação e leitura de cenários políticos muito além dos cálculos estruturais.

 

Alfredo Moreira Filho viveu na prática essa realidade ao gerir tensões que podiam explodir a qualquer instante, desenvolvendo competência para tomar decisões sob pressão em ambientes onde o erro tinha consequências imediatas e visíveis. Essa resiliência adquirida em canteiros de obras se aplica a qualquer setor, inclusive tecnologia da informação.

Quando a técnica esbarra no imprevisível

Na Amazônia, projetos tecnicamente corretos frequentemente fracassavam ao ignorar variáveis alheias à engenharia. O Projeto Milho na ilha da Marchanteria mostrou como a mecanização agrícola em várzeas esbarrava em fatores incontroláveis: as águas subiram antes do previsto, periquitos e papagaios devoravam o milho, e a colheita precisaria ser feita de canoa, algo totalmente inviável.

 

Em Rio Preto da Eva, uma barragem projetada para um colégio adventista rompeu-se após chuvas de fim de semana porque o pastor recusou trabalho contínuo no sábado, por motivos religiosos. Esses episódios ensinam que a engenharia precisa dialogar com o território, o clima e as convicções de quem habita o espaço onde o projeto será implantado.

Negociação institucional e leitura de mercado

A representação de grandes empreiteiras junto ao Congresso Nacional exige compreensão profunda de como decisões políticas impactam negócios. A experiência na Comissão Mista de Orçamento, nas negociações de emendas parlamentares e na defesa de interesses corporativos perante o Poder Legislativo desenvolve uma competência que poucos cursos de administração conseguem ensinar: entender como o mercado realmente funciona, além da teoria.

 

Essa leitura institucional permite ao empreendedor identificar oportunidades antes que se tornem óbvias, antecipar mudanças regulatórias e construir relacionamentos que facilitam a operação do negócio. Para Alfredo Moreira Filho, a rede de contatos construída ao longo de décadas em contextos institucionais se transformou em ativo estratégico para qualquer empreendimento.

Da técnica à estratégia

A formação em engenharia agronômica na Universidade Federal de Viçosa forneceu base analítica rigorosa: capacidade de decompor problemas complexos em componentes gerenciáveis, pensar em sistemas e processos, tomar decisões baseadas em dados. Essas competências são transferíveis para qualquer contexto empresarial.

 

O que diferencia o engenheiro que empreende do técnico que apenas executa é a capacidade de aplicar esse rigor analítico a problemas de negócio: estruturar operações, definir indicadores de desempenho, gerir equipes multidisciplinares e negociar contratos complexos. A engenharia ensina a pensar em termos de eficiência, prazo e custo, sendo essas as competências fundamentais para qualquer gestão empresarial.

O legado da experiência

A trajetória de Alfredo Moreira Filho demonstra que a formação técnica não é limitação, mas plataforma. O profissional que domina sua área desenvolve disciplina analítica, capacidade de execução e resiliência que se aplicam a qualquer empreendimento. A transição da engenharia para a tecnologia não foi ruptura, mas continuação: as competências desenvolvidas em quatro décadas de atuação em grandes obras se mostraram plenamente aplicáveis à gestão de um negócio de serviços de TI.

 

Para outros profissionais com formação técnica que consideram empreender, a lição é clara: o conhecimento de base não se perde, se transforma. A competência técnica, quando combinada com visão estratégica e disposição para aprender continuamente, converte-se em vantagem competitiva em territórios novos.

 

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