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outubro 9, 2026
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AIOps e observabilidade aplicados ao dia a dia das operações

Rolando Bonaccorsi

O desenvolvimento acelerado de ferramentas de monitoramento colocou o termo AIOps no centro das conversas de tecnologia, e o que Rolando Bonaccorsi aponta é que a promessa só se concretiza quando existe base de dados confiável. Aplicar inteligência artificial sobre registros inconsistentes produz alertas com aparência de precisão e conteúdo discutível. A qualidade do insumo determina o valor da automação construída sobre ele.

Observabilidade e monitoramento tradicional não descrevem a mesma prática. Monitorar responde se o sistema está disponível, enquanto observar permite entender por que determinado comportamento aconteceu, a partir de métricas, registros de eventos e rastreamento distribuído. A distinção importa porque orienta investimentos diferentes em instrumentação e em cultura de análise. Empresas que tratam os dois conceitos como sinônimos acabam comprando painéis novos para responder a perguntas antigas, sem ganho real de entendimento sobre o próprio ambiente.

Da coleta de dados à decisão automatizada

Ambientes modernos geram volume de telemetria que nenhuma equipe consegue examinar manualmente. Microsserviços, filas, integrações e camadas de infraestrutura emitem sinais simultâneos, e a maior parte deles não indica problema algum. O desafio prático consiste em separar o ruído do sinal relevante antes que o excesso de alertas produza indiferença. Times submetidos a centenas de notificações diárias aprendem a ignorá-las, e a fadiga de alerta se torna um risco operacional por conta própria.

Conforme Rolando Bonaccorsi, Diretor de Operações da Vert Analytics, a correlação automática de eventos delimita o escopo do incidente em minutos, tarefa que antes consumia horas de investigação cruzada. Agrupar alertas que descrevem a mesma causa evita que diferentes frentes trabalhem em paralelo sobre sintomas de um único problema de origem.

O que a automação inteligente faz na prática?

Modelos aplicados a operações aprendem padrões de comportamento normal e sinalizam desvios antes de o usuário perceber degradação. Detecção de anomalia em consumo de memória, previsão de saturação de disco e identificação de rotas lentas em cadeias de chamadas são aplicações consolidadas, com retorno mensurável em tempo de resposta. O ganho aparece sobretudo nas falhas graduais, que escapam a limites fixos de alarme por se desenvolverem devagar ao longo de dias.

Na ótica de Rolando Bonaccorsi, engenheiro de computação com MBA executivo, agentes de inteligência artificial projetam ganho adicional quando assumem tarefas repetitivas de triagem e enriquecimento de chamados. Classificar, buscar histórico semelhante e sugerir a primeira hipótese libera o analista para a parte do trabalho que exige julgamento sobre contexto de negócio.

Onde a expectativa se descola da realidade?

A adoção de AIOps enfrenta resistência previsível quando a ferramenta chega antes do processo. Equipes que não padronizaram nomenclatura de serviços, severidade de incidentes e critérios de encerramento dificilmente obtêm correlação útil, porque o modelo aprende a desorganização existente e a reproduz em escala maior. A arrumação prévia do inventário de serviços costuma render mais resultado imediato do que a troca da plataforma de monitoramento.

Na percepção de Rolando Bonaccorsi, a confiança excessiva no automatismo também cria risco próprio, porque aceitar remediação automática sem revisão periódica dos critérios pode mascarar problemas estruturais. O sistema reinicia o serviço com regularidade, ninguém investiga por que a reinicialização se tornou tão frequente, e a fragilidade de fundo segue sem tratamento.

Observabilidade como disciplina de engenharia

Instrumentar bem um sistema é decisão de projeto, não tarefa posterior de operação. Definir quais eventos merecem registro, padronizar identificadores de transação e garantir rastreamento ponta a ponta precisam entrar na discussão de arquitetura, porque adicionar visibilidade depois costuma exigir reescrita de trechos sensíveis. Projetos que deixam a instrumentação para o fim entregam sistemas difíceis de diagnosticar justamente nos períodos de maior demanda.

No exame conduzido por Rolando Bonaccorsi, a observabilidade esclarece não apenas falhas, mas também o comportamento real do produto em uso, o que aproxima tecnologia e negócio. Saber onde o usuário desiste de um fluxo tem valor equivalente a saber onde um serviço responde devagar, porque as duas informações orientam prioridade de desenvolvimento e aproximam a conversa técnica do resultado comercial esperado.

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